Em 1950, num almoço em Los Alamos, Enrico Fermi fez a pergunta que ficou com o nome dele. Se a galáxia tem tantas estrelas e tanto tempo, onde estão as outras civilizações? Onze anos depois, Frank Drake escreveu a estimativa como um produto de fatores, da taxa de formação de estrelas até a longevidade das civilizações. Quando cada fator recebe um valor central razoável, o produto dá uma galáxia povoada, e o silêncio do céu passa a parecer um paradoxo.
Em 2018, Anders Sandberg, Eric Drexler e Toby Ord mostraram que o problema está no uso de valores centrais. Nós não conhecemos esses fatores com precisão, e alguns deles têm incerteza de muitas ordens de grandeza. Para apresentar o argumento, os autores usam um modelo de brinquedo, que é o desta simulação. São 100 bilhões de estrelas e nove fatores, cada um sorteado entre 0 e 0.2. O valor médio de cada fator é 0.1, e o produto dos valores médios multiplicado pelo número de estrelas dá exatamente 100 civilizações por galáxia.
Cada clique em Sortear 1 cria uma galáxia. As nove barras mostram os fatores sorteados, e embaixo aparecem o produto deles e o número esperado de civilizações, λ. O número final é sorteado a partir de λ, porque uma galáxia com λ = 0.5 pode ter zero, uma ou duas civilizações. Os botões Rodar 1000 e Rodar 100 mil repetem o sorteio muitas vezes. O quadro da direita acumula a fração de galáxias vazias e a média de civilizações, e o histograma embaixo mostra como os resultados se distribuem.
Para explorar
- Antes de rodar, pense na conta pontual. Se cada galáxia tem 100 civilizações, quantas galáxias vazias você espera encontrar? Depois sorteie algumas galáxias, uma por vez.
- Rode 100 mil galáxias. A média fica perto de 100, igual à conta pontual, e mesmo assim cerca de 21% das galáxias saem vazias. Como as duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo? Olhe o histograma para responder.
- Neste modelo cada fator varia entre 0 e 0.2. Na análise completa do artigo, os fatores ligados à origem da vida têm incerteza muito maior que essa. O que você espera que aconteça com a fração de galáxias vazias?
O modelo vem de Sandberg, Drexler e Ord, Dissolving the Fermi Paradox, publicado em 2018 no arXiv:1806.02404.